"Vejo um poeta inspirado em Coca-Cola. Que poesia mais estranha ele iria expressar?", já perguntava Raul Seixas em Movido a Álcool. Nos EUA, um artista plástico chamado Brendan O'Connel vem pintando o dia a dia dos frequentadores da mega rede de supermercados Walmart. O tema inusitado para as pinturas chamou atenção de uma galera, que realizou um documentário sobre ele.
Nessa matéria do The Atlantic tem mais informações sobre o artista e a proposta dele. Aqui você pode ver e comprar alguns dos quadros dele. Segue um trecho da entrevista com o documentarista:
Sua própria perspectiva de fazer compras mudou desde que fez o filme?
Nos encontramos pensando "como elevar os momentos do nosso dia a dia em atos de beleza" mais frequentemente. Quando estamos em uma drogaria atrás de uma pasta de dentes, é menos uma coisa entediante e mais algo da nossa experiência diária. Se deixarmos esses momentos se tornarem mundanos, eles se perderão no caminho. Comprar pasta de dente ainda não é algo que amamos, mas não é mais algo que nos chateia. na verdade pode ser algo bacana.
Hoje fui na mostra de cinema Os Filmes Zanzibar: Dândis de 68, que está rolando na Caixa Cultura, no Rio de Janeiro, até 3 de novembro. Tô trabalhando na mostra lançando legendas (pros filmes que precisam de legendas). O bacana é que existe pouco material sobre esse movimento (parece que offline só tem um pequeno livro impresso), até mesmo na França, país onde ele se originou, e a mostra vem justamente iluminar um pouco esse período. É a 1a vez que exibem alguns dos filmes, como Deux Fois, que fala bem... aparentemente fala sobre os sentimentos de uma das integrantes do grupo (a Jackie Raynal) sobre o namorado dela na época.
Achei os filmes bem surreais, mas é para eles serem assim. Como me disse um dos organizadores da Mostra, Leonardo Esteves, o mote dos filmes é ser "destruição". Ou destruição do cinema como entendiam até então. No debate de hoje, a Jackie Raynal falou sobre como o movimento veio a ser, as influencias e os "resultados". Falou várias outras coisas também, mas que não pesquei.
De uma "operária do cinema", como ela mesmo se descreveu, Jackie se tornou uma senhora enxuta e lúcida e grande conhecedora do cinema. Ela ajudava na edição dos filmes de cineastas como Godard quando foi convidada a participar do grupo Zanzibar. Pelo que eu entendi, o movimento começou com uma proposta de um bancário francês, que queria financiar jovens cineastas. Quando ele viu o resultado do 1o filme (muito experimental), ficou um decepcionado. Mas a irmã dele, Sylvina Boissonnas (que aparece em pelo menos um dos filmes) decide continuar a financiar esse grupo de artistas, como Philippe Garrel, e passou a atuar como uma mecenas.
De 1968 a 1970, produziram cerca de 15 filmes. Em um ano, filmaram 3 longa-metragens, o que é quase insano para os padrões de hoje. Uma das influencias dos caras era a The Factory, do Andy Warhol. Outra influência era a mescalina e outras drogas, segundo a própria Jackie. "Naquela época as drogas eram de graça. Nos davam as drogas. Quase todas vinham da Inglaterra. E não era como hoje, que há envolvimento com traficantes armados". Ela lembra como uma época maravilhosa, pois ainda não existia a AIDS.
Eles filmaram alguns dos acontecimentos do movimento estudantil de maio de 1968 e colocaram em seus filmes. Exibiram alguns desses filmes para trabalhadores nas próprias fábricas onde trabalhavam. Exibiam as películas também em escolas e museus.
Parece que só conseguiram esse acesso e distribuição graças aos esforços da Sylvina. Também havia a facilidade de terem filmado em formato Super-8, o que, aparentemente, facilita e agiliza na hora de editar. Como hoje em dia, o imediatismo também era importante para alguns cineastas, como disse Jackie no debate ao responder uma pergunta sobre redes sociais(acho que era uma referência ao Mídia Ninja e similares). Eles também conseguiam acesso maior aos protestos, pois um dos integrantes tinha um carrão (acho que um Jaguar, não sei). Por causa do carro, "os policiais os confundiam com ricos" e deixavam eles passar pelo bloqueio que faziam aos manifestantes de 68. (Que coisa isso)
[caption id="attachment_989" align="aligncenter" width="695"] Cena do filme Détruisez-Vous, ou Destrua-se.[/caption]
Com a ajuda financeira de Sylvina, passaram a filmar em 35mm. Isso garantiu uma qualidade maior para as filmagens, mas que dificultou a distribuição, já que existiam lugares na França com capacidade de exibir um filme rodados em 35mm. No meio disso tudo, fizeram vários filmes. Jackie se lembra quando foi exibir o Deux Fois pela 1a vez, para operários e pessoas de classe-média, classe média baixa. As pessoas riram, gargalhavam. Ela se perguntou se o que eles estavam fazendo estava tão distante assim da realidade deles - em uma das cenas, Jackie urina na própria meia-calça. Os festivais, por outro lado, os receberam muito bem. Mas muitos diretores pararam de trabalhar com Jackie, porque aparentemente "ela tinha enlouquecido".
Pelo que eu entendi, o fim do movimento ocorreu quando vários integrantes começaram a seguir o próprio caminho. Uns viajaram para a Índia (era moda na época, por causa dos Beatles) e outros do grupo foram para Zanzibar, na África, acompanhados por um Mangusto (uma espécie de furão) que ia comendo os insetos no caminho.
No final, cada um foi prum canto. Uns caíram em Artes Plásticas, outros continuaram fazendo filmes e um (o Patrick Deval) virou muçulmano durante a viagem a Zanzibar e largou as artes. Jackie ficou bem abalada com o grupo Zanzibar, "como acontece nesses movimentos independentes, quando se mistura demais o trabalho e a vida pessoal". Ela vendeu o único bem que tinha, um apartamento, e foi com Sylvina em direção à costa oeste dos EUA para viver como os hippies. Parece que ficou lá até pouco tempo atrás. Agora vive na França. Nunca tinha vido ao Brasil, mas conhecia os filmes de Glauber Rocha e outros, através de Godard.
Durante o debate, ela respondeu algumas perguntas dos organizadores e da plateia. Um espectador assinalou que gostou muito como ela usou o som no Deux Fois (muito silêncio, pouco diálogo e sonoplastia pertubadora). Ela agradeceu os elogios e disse na época que atuava editando e montando os filmes, percebeu que "o som é a metade da imagem de um filme". Ela falou da influência e dos resultados do movimento Zanzibar. Disse que o movimento gerou frutos mais nas Artes Plásticas, mas não deu detalhes disso. Disse que em 1968 os festivais de cinema ousavam mais, abriam mais as portas para filmes inovadores e experimentais e "hoje exibem Tarantino". Engraçado que nego que gosta de Tarantino não se acha careta, pelo contrário.
Jackie respondeu também uma pergunta minha. Perguntei sobre a diferença da dinâmica entre o mecenato de Sylvina e o crowdfunding. Ela disse que uma coisa não tem nada a ver com a outra. Sylvina era mais que uma mecenas, atuava também dando todo o apoio necessário, ajudando na distribuição e exibição dos filmes. Ela critica também o fato do crowdfunding exigir uma contrapartida dos contribuintes. "Se fulano quisesse fazer um filme para três ou quatro pessoas, ele ia lá e fazia. Não tinha que responder a ninguém". Ela conta que um dos participantes do movimento Zanzibar se alegrava quando as pessoas abandonavam a sala de cinema, que ficava vazia.
Para Jackie, o crowdfunding é algo fechado em si mesmo. Não ajuda a criar um sistema de distribuição, nem nada. Não ajuda ir além. É uma observação pertinente pra algo que nego considera que é a salvação da lavoura. Não concordo muito com o que ela diz, mas entendi que se não houver algo além do financiamento, se não houver uma participação real das pessoas com a arte e com o que elas consideram interessante, não vai haver vaquinha que dê conta. Eu tinha várias perguntas a fazer para ela (se ela assiste filmes no Youtube, por exemplo), mas o tempo era curto e não deu para falar tudo. Valeu pela conversa.
* em tempo, me acharam parecido com o Jean Paul Belmondo. Acho que não sou tão narigudo ou charmoso assim.
No coração de São Paulo pulsa o maior movimento de luta por moradia da América Latina. Famílias desabrigadas ocupam o edifício Mauá, um dentre muitos ocupados no centro da cidade., O documentário LEVA acompanha a vida de moradores da ocupação e revela a organização de siglas que se unem numa organização para transformar os espaços abandonados em habitáveis. A estruturação do edifício pelos movimentos de luta de moradia irá refletir na reorganização e redescoberta das pessoas como indivíduos através do coletivo.
Alguns documentários sobre o carnaval do Rio de Janeiro. Uns falam dos blocos de empolgação, tipo o Cacique de Ramos e Bafo da Onça, e outros falam das Mulatas e dos Bate-Bolas. Esse aqui é da TV Brasil, com Bira Presidente, Beth Carvalho, Arlindo Cruz, Zeca Pagodinho, Marcelo D2...
Esse aqui sobre os 50 anos do Cacique:
Esse aqui sobre o Bafo da Onça (da TV Brasil tb):
Mulatas! Um tufão nos quadris:Estrelas anônimas da nossa maior festa, as mulatas são o emblema supremo do Carnaval. Ostentam, no passo impecável, a magia e sensualidade que hipnotizam a plateia e garantem a audiência planetária do espetáculo das escolas de samba do Rio. Muito além dos holofotes da folia e da brincadeira, suas trajetórias, paradoxalmente, conjugam melancolia, solidão e humor -- além, claro, do mais profundo amor pelo Carnaval. "Mulatas! Um tufão nos quadris" contará as histórias das personagens mais cobiçadas da avenida.
Carnaval, bexiga, funk e sombrinha: sobre os clóvis ou bate-bolas no Carnaval (completo)
sexta-feira, 3 de junho de 2011
Ron Franz: I'm going to miss you when you go. Christopher McCandless: I will miss you too, but you are wrong if you think that the joy of life comes principally from the joy of human relationships. God's place is all around us, it is in everything and in anything we can experience. People just need to change the way they look at things. Ron Franz: Yeah. I am going to take stock of that. You know I am. I want to tell you something. From bits and pieces of what you have told me about your family, your mother and your dad... And I know you have problems with the church too... But there is some kind of bigger thing that we can all appreciate and it sounds to me you don't mind calling it God. But when you forgive, you love. And when you love, God's light shines through you. Christopher McCandless: Holy shit!
Ana Pascal: [Hurt and annoyed that Harold refuses to just take the cookies and has offered to buy them] Go home Harold. Harold Crick: Okay. [starts for the door and realizes he's dissappointed her] Harold Crick: Did- You made those cookies for me, didn't you. [She looks at him sadly] Harold Crick: You were just trying to be nice, and I blew it. [reaches into his briefcase and retrieves the little black book where he's tracking his comedy vs tragedy tallies, and there are a lot of marks under tragedy. Sadly] Harold Crick: This may sound like gibberish to you, but I think I'm in a tragedy.
Rocky Balboa: Let me tell you something you already know. The world ain't all sunshine and rainbows. It is a very mean and nasty place and it will beat you to your knees and keep you there permanently if you let it. You, me, or nobody is gonna hit as hard as life. But it ain't how hard you hit; it's about how hard you can get hit, and keep moving forward. How much you can take, and keep moving forward. That's how winning is done. Now, if you know what you're worth, then go out and get what you're worth. But you gotta be willing to take the hit, and not pointing fingers saying you ain't where you are because of him, or her, or anybody. Cowards do that and that ain't you. You're better than that!
Old Story Teller: And a Man sat alone, drenched deep in sadness. And all the animals drew near to him and said, "We do not like to see you so sad. Ask us for whatever you wish and you shall have it." The Man said, "I want to have good sight." The vulture replied, "You shall have mine." The Man said, "I want to be strong." The jaguar said, "You shall be strong like me." Then the Man said, "I long to know the secrets of the earth." The serpent replied, "I will show them to you." And so it went with all the animals. And when the Man had all the gifts that they could give, he left. Then the owl said to the other animals, "Now the Man knows much, he'll be able to do many things. Suddenly I am afraid." The deer said, "The Man has all that he needs. Now his sadness will stop." But the owl replied, "No. I saw a hole in the Man, deep like a hunger he will never fill. It is what makes him sad and what makes him want. He will go on taking and taking, until one day the World will say, 'I am no more and I have nothing left to give.'"