quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

toda gente

E como era farol, a conversa recaiu sobre faróis.
Eduardo interpelou-me de chofre sobre a idéia que eu deles fazia.
- A idéia de toda gente, ora essa!
- Quer dizer, uma idéia falsa. "Toda gente" é um monstro com orelhas d'asno e miolos de macaco, incapaz duma idéia sensata sore o que quer que seja. Tens na cabeça, respeito a farol, uma idéia de rua recebida do vulgo e nunca recunhada na matriz das impressões pessoais.

- trecho retirado do livro Urupês, do Monteiro Lobato

domingo, 31 de janeiro de 2010

Bate-papo UOL Com Monja Coen

Íntegra do Bate-papo UOL Com Monja Coen. Primeira mulher a ocupar a presidência da Federação das Seitas Budistas no Brasil, Monja Coen percorreu caminhos inexplorados e realizou profundas transformações em sua vida para atingir seus objetivos. Inspirada na trajetória dessa pioneira, a terapeuta Neusa C. Steiner conta no romance biográfico "Monja Coen – A Mulher nos Jardins de Buda" as histórias dessa mulher de 60 anos, forte, decidida a seguir seu caminho e a não se assustar, superando as posições frágeis e submissas. Assista ao Bate-papo UOL com Convidados e saiba mais sobre a vida e obra da missionária da tradição Soto Shu – Zen Budismo, com sede no Japão. Monja Coen comenta romance biográfico sobre sua vida e conta como descobriu o budismo.

domingo, 10 de janeiro de 2010

A formação musical de Cartola (ou Cartola: Ano um)

O sambista Cartola é considerado, com razão, como um dos grandes nomes da música popular brasileira. Muitos músicos, pesquisadores e entusiastas apontam a sua origem humilde e seu propalado semi-analfabetismo como forma de enaltecer sua obra musical. Outros estão contentes em dizer simplesmente que Cartola era um gênio. Dessa forma, acabam ignorando toda a trajetória de sua formação musical.

De acordo com o livro, “Cartola, dos Tempos Idos”, da pesquisadora Marília Trindade Barboza, Angenor de Oliveira, o Cartola, esteve em contato com a música e com o samba em suas várias formas desde criança, o que explicaria o talento do sambista.

“O micróbio do samba me foi injetado pelo velho (seu avô, Luís Cipriano Gomes). Eu era muito garoto quando saía com toda a família no Rancho dos Arrepiados. E com minha voz, que era boa, cheguei à ala do Satanás. Saímos eu, papai, que tocava cavaquinho profissionalmente no bando, minha mãe e meus irmãos”, disse Cartola, em 1977, ao jornalista Ronaldo Bôscoli, para a revista Manchete.

Ranchos eram parte da tradição carnavalesca do início do século XX. Essas agremiações eram cortejos descendentes das Folias de Reis, e foram bastante influenciados por festividades negras, como os Cucumbis e Congos, e por tradições musicais populares portuguesas. Nos ranchos, tocavam-se instrumentos de sopro e corda, não havendo instrumentos de percussão.

Foi nessa época, que Cartola começou sozinho a aprender a tocar cavaquinho. Ele aproveitava os momentos que seu pai, Sebastião, saia pra ficar mexendo no instrumento, procurando repetir o que ele e os instrumentistas do Rancho dos Arrepiados faziam.

Quando o avô de Cartola morreu, sua vida mudou radicalmente. Luís Cipriano Gomes era cozinheiro de Nilo Peçanha, o ex-presidente do Brasil, e quem praticamente sustentava a família. Com a morte do patriarca, tiveram todos que se mudar do conforto de Laranjeiras para o morro da Mangueira, que, segundo Cartola, “não devia ter mais de 50 barracos na época”.

No morro, o carpinteiro Sebastião fez Cartola começar a trabalhar, para ajudar com as despesas em casa. Este, arredio que era, não durava muito nos empregos e aproveitava esses períodos de folga para freqüentar as “bocas” da Mangueira, que eram casas onde se faziam as batucadas (danças e jongos para cultuar deuses afro-brasileiros).

Cartola deu o seguinte depoimento para O Globo, em 1972: “Samba duro e batucada é a mesma coisa. A gente fazia isso a qualquer hora, em qualquer dia. Juntavam umas vinte pessoas – homens e mulheres – e a gente começava a cantar. Apenas uma linha ou duas do coro e os versos improvisados. Isso é que é partido alto. Os únicos instrumentos eram o pandeiro, o violão e o prato e a faca (prato de comer e faca de cortar carne; a faca raspa o prato) e no coro as mulheres batiam palmas. Aí um – o que versava – ficava no meio da roda e tirava um outro qualquer. Aí dançando e gingando, mandava a perna. O outro que se virasse para não cair”.

Quando Cartola tinha 18 anos sua mãe, Dona Aída, morreu. Sendo ela que acalmava os ânimos de Sebastião em relação ao filho, o malandro logo foi expulso de casa pelo pai. Quando voltou para casa, Cartola descobriu que o pai havia abandonado a Mangueira, deixando um recado ao filho: “Vou-me embora deste morro, mas deixo aqui um Oliveira para fazer vergonha”.

O sambista então arranjou um barraco próprio e caiu na vida. Depois de alguns meses freqüentando a zona do meretrício, sem se alimentar direito, Cartola logo ficou doente. Dona Deolinda, vizinha de barraco, passou a cuidar dele, quase como uma mãe. Passado pouco tempo, ela se afeiçoou tanto a ele que abandonou o marido pra viver com Cartola.

Ao se recuperar, ele voltou a exercer a profissão de pedreiro, que começara a praticar quando tinha 15 anos. Nas horas de folga trabalhava como compositor e violonista nos bares locais, ao lado do amigo Carlos Cachaça e Gradim.

* continua num próximo post.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

To cobrindo essa revitalização do porto quase desde que começaram com o papo Porto Maravilha. O projeto foi oficializado em junho e quinta-feira a câmara aprovou a terceira e última lei dele. Só agora to entendendo algumas coisas... parece que a informação vem pingada e é tanta correria pra pegar depoimento, acertar nos números de investimento etc que só agora to colocando os pingos nos is de umas dúvidas. mas não sei se é incompetencia minha ou por correria do dia a dia porque tão pingando informação mesmo. é um troço estranho.

as vezes to com a impressão que to escrevendo várias matérias baseadas em meia informação, o que é chato pra caralho.

e fico as vezes com aquela impressão que não tenho bagagem para encarar um político matreiro e matuto, cheio de malícia. sou virgem pra caralho pra lidar com esses caras, mas por outro lado tem a internet. e graças a deus pela internet. hoje fui lá no site do vereador eliomar coelho, que acho que votou contra todos os projetos de lei do Porto Maravilha (sei que votou contra dois, não sei do primeiro) e lá vi um depoimento de uma arquiteta (http://eliomarcoelho.wordpress.com/2009/11/24/peu-das-vargens/) que não ajudou na minha matéria mas, junto com essa outra matéria (http://urbanidades.arq.br/2008/08/operacoes-urbanas-consorciadas-uma-introducao/) dá para ir construir um cenário pro Rio. hoje em dia tem informação pra caralho em todo lugar.

essas cepacs (que funciona assim, a prefeitura confisca o potencia construtivo de uma área e todo imóvel construido acima do indice de aproveitamento do terreno tem que pagar uma grana pra prefeitura) seriam ótimas pra Zona Oeste, por exemplo, porque são alvo absurdo de especulação imobiliária. com esse dinheiro daria, ao meu ver, pra construir o metro pra Barra em dois tempos e despoluir toda aquelas lagoas, além de conter o crescimento desenfreado da zona oeste, que ainda é bucólico em algumas partes, o que eu acho legal.

o que a zona portuária precisa MESMO é pura obra de infraestrutura. a prefeitura do rio tá tentando fazer isso com as cepacs, pq essas obras seriam financiadas pela iniciativa privada. é complicado pra cacete, pq o rio hoje não tem dinheiro, tá com o poder de investimento engessado e dependendo de empréstimo e do governo federal.

esse projeto porto maravilha é uma aposta pura e simples da prefeitura, apostando que as imobiliarias realmente querem investir naquela área (e todas dizem que querem, pq é uma área bem foda). mas aí que tá, é uma matemática complicada, pq a medida que vão investindo na área, a prefeitura vai poder investir em obras, que vai valorizar a região e vai atrair mais investimentos. por isso o projeto tem duas partes, a primeira, de investimento de poder publico, que vai reformar algumas áreas e a segunda, que está esperando a iniciativa privada.

antes o cronograma, segundo uma apresentação que vi por aí, era que tudo ia terminar até 2013, agora o prazo, de acordo com o paes vai além, vai até 2023 (10 a 15 anos, segundo ele). mas pela lei que li hoje, o prazo de revitalização daquela área vai na real até 2039. as vezes parece que nem o paes sabe direito das leis que sanciona. mas uma coisa é certa, a prefeitura criou um conjunto de regras que vai ultrapassar a gestão dele, e isso é do caralho.

mas bom, acabou o plantão, agora vou pra casa. valeu!

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

O Golpe de Honduras em quadrinhos

[caption id="attachment_258" align="alignnone" width="500" caption="contaram todo o histórico do golpe de Honduras à Zelaya na forma de história em quadrinhos"]contaram todo o histórico do golpe de Honduras à Zelaya na forma de história em quadrinhos[/caption]